Sabe,
é só mais uma data, mas é mais uma data
que todo mundo tenta chorar um pouco mais alto,
beber um pouco mais pra tentar esquecer a vida
vazia e mecânica que anda levando,
tentando não sentir inveja da felicidade dos outros
e depois embrulhar os presentes e distribuir...
Sei,
é ausente aquilo que esperamos, porque
sonhos são vazios se não realizamos antes
a parte que temos periférica, mas não vemos
em volta um amor sem embrulho, uma conversa,
uma verdade cevada pelos dias, serões da vida.
Então pensei (pensamos) em uma coisa bela...
"dois caminhantes, uma neblina e a casa que
construímos" (eles - nós - vós) , todos reconstruindo
a grande mensagem, porque tudo aqui é amor,
e por ser assim tão simples torna-se complexo;
não, não gosto (gostamos) porque todo mundo gosta
(ou diz que gosta), mas porque é belo e porque
nunca vou conseguir conjugar o verbo amar se não
for assim:
nos pronomes íntimos (eu, tu, nós)
conjugar felicidade como verbo e
a imaginação como artigo definido
do Amor.
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
E nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou
Estrada eu vou
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz ... E ser feliz
"Às vezes Isabel desaparecia como se tivesse viajado para longe do Brasil,eu parava diante da Sloper,ficava olhando uma manequim de vitrine que usava camisola de lingerie como a Ava Garder,hoje eu sei porque tantos homens paravam e olhavam...
Isabel sempre foi estranha: colecionava receitas de Hong Kong, era a favor dos estados Unidos na América latina e contra os Estados Unidos no Vietnã,chamava Fidel Castro de cortador de cana do Caribe e bastava falar em Che Guevara para ficar com um cisco nos olhos e querer morrer na selva da Bolívia usando o nome de guerra de Tânia"
Uma mulher se senta sozinha com uma xícara de café...
Sim... Eu também me sento sozinha com uma xícara de café, enquanto fico me imaginando lá dentro dos ambientes de Hopper com aqueles olhares distantes, criando aquelas situações: o observador supondo as consequências. Nós só podemos imaginar se a cadeira vazia em frente a ela significa que ela está esperando alguém ou dividiria sua cadeira com qualquer um que entrar.
A razão delira, fantasia-se de cínica, baila ao ritmo dos jogos de linguagem. Nesse mar revolto, muitos se apegam às "irracionalidades" do passado, à religiosidade sem teologia, à xenofobia, ao consumismo desenfreado, às emoções sem perspectivas... E nós conduzimos nossas esperanças entre as rajadas de balas das desilusões.